Agência Brasil inicia amanhã série Direitos das Crianças no país da Copa

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Cidadania

Criado em 05/05/14 09h46 e atualizado em 06/05/14 16h29
Por Juliana Russomano e Juliana Cézar Nunes – Repórteres da EBC Edição:Lílian Beraldo Fonte:Agência Brasil

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No ano em que o Brasil recebe a Copa do Mundo e a seleção brasileira comemora seu centenário, a expectativa é que o turismo bata recorde e que o país feche 2014 com mais de 10 milhões de visitas.

Se, por um lado, o aumento no turismo aquece a economia, movimenta o comércio e aumenta a procura por serviços, por outro, traz problemas como os preços abusivos, o consumo desenfreado e até contribui para agravar a situação de crianças e adolescentes vulneráveis às redes de trabalho infantil e exploração sexual.

No jogo de altos investimentos, grandes obras e seleções estrelares, o elo mais fraco é a criança que, ao contrário do mascote da Copa, o tatu-bola, não pode se proteger dentro de uma carapaça.

A Copa do Mundo encanta as crianças e estimula a prática esportiva. Mas as cidades-sede ainda enfrentam enormes desafios para assegurar o direito ao esporte, engajar as escolas no combate ao racismo e garantir os direitos de meninos e meninas em situação de rua. As remoções para a construção de obras viárias colocaram em risco o direito à convivência comunitária e não contribuíram para a criação de novos espaços de lazer.

Desde março, equipes de reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) percorreram as 12 cidades-sede da Copa e fizeram uma radiografia de como estão sendo tratados os direitos das crianças e dos adolescentes. Onde ainda é preciso avançar? O que a sociedade tem feito para garantir esses direitos? Como terminar a Copa com um legado positivo para a infância e adolescência?

A bola ainda não começou a rolar nos gramados, mas as denúncias sim. Em São Paulo, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual Infantil da Câmara Municipal recebeu relatos de que aliciadores estavam oferecendo garotas de 11 a 17 anos para os operários da obra. E em Cuiabá, do início da construção da Arena Pantanal até agora, o número de casos de exploração sexual infantil triplicou.

Para reverter essa realidade, iniciativas comunitárias e de organizações não governamentais (ONGs) incentivam a prática de atividade física e veem nos grandes eventos a oportunidade de promover o esporte.

“A gente recebeu não só a Copa, mas também as Olimpíadas, como o momento ideal para promover o esporte, conscientizar e mobilizar para a melhoria das políticas públicas esportivas no Brasil”, destaca a assessora para políticas públicas da ONG Atletas pelo Brasil, Sílvia Gonçalves.

O trabalho das redes de proteção, entretanto, não acompanha o rápido desenvolvimento das redes de exploração. Além disso, a falta de denúncias dificulta a apuração das autoridades. Outro entrave é a situação familiar de pobreza.

“O combate à exploração sexual infantil não é fácil. A vítima não se sente sente vítima, as famílias, de certa forma, se locupletam com o dinheiro da exploração sexual da família. Então tem-se a notícia de que aquela adolescente é vítima de exploração sexual, mas quando você vai ouvir a menina, vai ouvir os parentes, a resposta é não”, diz a delegada de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente de Fortaleza, Ivana Timbó.

A partir de amanhã (6), a Agência Brasil publica a série de reportagens Direitos das Crianças no País da Copa. O projeto que deu origem a essa série foi vencedor da Categoria Rádio do 7º Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, realizado pela Andi, Childhood Brasil e pelo Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef).

As matérias trarão os principais problemas encontrados nas cidades-sede e algumas das iniciativas encabeçadas pela sociedade civil ou pelos governos para prevenir ou frear casos de exploração de crianças.

Para a empreitada, foram escalados os repórteres Akemi Nitahara, Beatriz Pasqualino, Bruno Bocchini, Danyele Soares, Isabela Vieira, Liliane Farias, Raquel Júnia, Sheily Noleto e Tchérena Guimarães. Também participaram do projeto os repórteres fotográficos Antonio Cruz, José Cruz, Fabio Pozzebom, Marcello Casal Jr, Tânia Rêgo, Tomaz Silva, Valter Campanato e Wilson Dias.

As matérias serão publicadas até o dia 21 de maio.

Editor Lílian Beraldo

Tags: Direitos Humanos, Copa do Mundo, prêmio Tim Lopes, crianças, direito das crianças, adolescentes, exploração sexual, Andi, Unicef, Childhood, tim lopes manaus, tim lopes cuiabá, tim lopes brasília, tim lopes são paulo, tim lopes rio de janeiro, tim lopes belo horizonte, tim lopes curitiba, tim lopes porto alegre, tim lopes fortaleza, tim lopes salvador, tim lopes recife, tim lopes natal, tim lopes reportagens Creative Commons – CC BY 3.0 Fale com a Ouvidoria

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