Como os antibióticos afetam o trânsito intestinal

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A associação de Saccharomyces boulardii à terapêutica com antibióticos em crianças e adultos reduz o risco de ocorrência de diarreia associada à toma de antibióticos.

No âmbito do Dia Europeu do Antiobiótico que se assinala hoje o Dr. Jorge Fonseca gastroenterologista escreveu para o Lifestyle ao Minuto sobre um dos impactos mais comuns e pouco falados da toma de antibióticos: a diarreia.

A diarreia é um efeito secundário frequentemente associado à toma de antibióticos e pode surgir durante a toma ou até dois meses após o final do tratamento.

Num indivíduo saudável o intestino está colonizado por diversas bactérias de diferentes espécies. Muitas destas bactérias são benéficas e contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal antigamente chamada flora intestinal. A relevância do equilíbrio ecológico da microbiota intestinal para a saúde tem sido sobejamente demonstrada.

Os antibióticos são prescritos para combater infeções bacterianas eliminando os microrganismos responsáveis pela infeção. No entanto para além de eliminarem as bactérias nocivas atuam num largo espectro de bactérias levando a alterações do equilíbrio natural dos microrganismos intestinais. Como consequência pode ocorrer diarreia associada à toma do antibiótico.

A incidência deste tipo de diarreia depende de inúmeros fatores tais como o antibiótico administrado a duração do tratamento o contacto com agentes infeciosos e a suscetibilidade do doente em questão.

Independentemente dos mecanismos envolvidos na etiologia da diarreia infeciosa pode observar-se habitualmente um desequilíbrio da flora intestinal. O método principal de proteção do ecossistema intestinal contra a agressão microbiana é a ação sinérgica dos seus mecanismos de regulação e defesa (barreira microbiana barreira imunitária movimentos intestinais) que asseguram uma situação de equilíbrio. Estes são os principais meios de defesa do ecossistema intestinal contra as agressões de origem microbiana exógenas ou endógenas.

Como se trata a diarreia aguda?

Uma das principais consequências da diarreia é a desidratação pelo que a primeira medida a implementar é a reposição de líquidos e sais para garantir a hidratação. Também se deve ter cuidado com a alimentação e ingerir alimentos que reduzam a diarreia. Se necessário podem ser administrados medicamentos para alívio dos sintomas.

O tratamento com fármacos antidiarreicos com ação obstipante apesar de ser muito comum não traz benefícios práticos em casos de diarreia aguda. Estes medicamentos podem diminuir a frequência de dejeções no entanto não aceleram a eliminação dos agentes patogénicos.

A utilização de antibióticos no tratamento da diarreia apenas é recomendada em casos muito específicos e requer sempre a avaliação médica.

Alguns microrganismos vivos (bactérias e leveduras) tais como Lactobacillus rhamnosus Bifidobacterium bifidum e Saccharomyces boulardii não patogénicos são utilizados na prevenção e tratamento da diarreia provocada por diferentes agentes etiológicos. Para que estes microrganismos exerçam a sua ação benéfica no intestino é necessário que os mesmos sejam resistentes à acidez do estômago aos fluidos intestinais e à temperatura corporal (aproximadamente 37ᵒC). Estes microrganismos ao modificarem a composição da microbiota intestinal criam condições que limitam a multiplicação dos agentes patogénicos.

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