Importar tênis está mais caro. Quem paga a conta ao final?

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O Governo Federal aprovou uma resolução para prorrogar por mais cincos anos a sobretaxa para o tênis importado estipulando agora o valor de U$ 13 85 por par de calçado somando este valor ao imposto de 35% para o produto. O resultado é tênis mais caro para os atletas acostumados a praticar o esporte com os chamados calçados de alta tecnologia.

A decisão foi tomada esta semana pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e regulamenta a Lei 9.019 de 1995 estendendo medidas antidumping para importações de produtos parte ou peças de países asiáticos.

A discussão envolve a Associação da Indústria Brasileira de Calçados (Abricalçados) que solicitou a sobretaxa à Camex em 2008 e a Associação Brasileira de Mercado Esportivo (Abramesp) que reúne fabricantes nacionais e estrangeiros de calçados esportivos como as marcas Asics e Nike. Em outubro de 2009 a Camex instituiu uma alíquota de U$ 1247. Várias marcas entraram com ações na justiça contra a taxa.

De acordo com notícia divulgada em seu site a Abicalçados afirma que a elevação de 15% das importações brasileiras de calçados ou partes de calçados de janeiro a julho deste ano deixou a entidade apreensiva quanto a triangulação das importações procedimento comum após a instituição de tarifas compensatórias.

Para as empresas da outra ponta que somam a maior parte do mercado a sobretaxa prejudica essencialmente o consumidor final. “A sobretaxa sobre os tênis importados da China não somente prejudica o importador mas também o lojista que precisa aumentar os preços dos produtos e prejudica principalmente o consumidor final que tem a necessidade de ter um produto com tecnologia para a prática esportiva seja tênis corrida ou qualquer outra atividade esportiva onde é necessário ter um produto com tecnologia” avalia Walid Safa presidente da K-Swiss do Brasil.

Na briga de gigantes o mais prejudicado é o atleta que usa tênis de alta tecnologia e paga muito mais caro pelo produto se comprado com outros países.

“Os valores praticados no exterior são em media 40% do valor praticado no Brasil. Portanto a saída para o cliente que consegue viajar é comprar o produto no exterior onde todos perdem” afirma o presidente da K-Swiss Brasil.

Sem equivalentes

O problema segundo muitos treinadores é que não existem equivalentes nacionais para os tênis de alta tecnologia que os corredores cada vez mais aprendem a apreciar.

“Os tênis importados ainda são muito melhores eles possuem muitos anos de pesquisas testes e muita tecnologia envolvida. A indústria nacional vem evoluindo aos poucos mas alguns fatores limitam essa evolução como a grande quantidade de concorrentes no segmento de running. São muitas as marcas estrangeiras e a cada ano surgem mais e a maioria de ótima qualidade sempre com lançamentos o que ofusca o mercado nacional. Com isso vejo o mercado nacional muito mais voltado para a linha ‘casual’ ‘passeio’ já que é muito difícil penetrar e conquistar espaço no segmento de performance e running mesmo oferecendo preços atrativos aliás o quesito ‘preço’ parece não influenciar muito nesse segmento se o tênis é bom o corredor compra!” opina Kim Cordeiro diretor da BK Sports assessoria esportiva de São Paulo.

Miguel Sarkis treinador e autor do livro “A Construção do Corredor” e também colunista do ativo.com tem opinião semelhante. “Os tênis estrangeiros ainda são melhores dada as circunstâncias de estudos e aplicação nos corredores durante algumas décadas. Fato este que distancia e em muito os tênis importados aos novatos nacionais. Há ainda uma forte razão pela qual ainda devemos dar preferência aos importados: eles têm muito investimento financeiro e tecnológico para a sua fabricação”.

E correr com um tênis tecnológico traz vantagens para os pés dos atletas segundo os especialistas. “Bons tênis que possuem estudos tecnológicos normalmente trazem muitas vantagens como: conforto estabilidade amortecimento e leveza. Estas qualidades ajudam muito para se obter uma melhor performance na corrida e mais que isso o risco de se ter uma lesão diminui bastante ao contrário de tênis sem tecnologia (imitações e “genéricos”) que facilmente podem machucar” explica Kim Cordeiro.

Quanto dura um tênis no pé do Corredor?

Compra um bom tênis é um investimento caro para os corredores. E alguns precisam fazer isso várias vezes ao ano. Para correr com segurança sem riscos de lesões é preciso respeitar a vida útil das funcionalidades do tênis tecnológico que em média é de seis meses para os corredores que praticam o esporte com frequência.

“Se considerarmos que um corredor percorre aproximadamente 10 km por dia duas vezes por semana ele terá percorrido 100 km por mês e ao final de 6 meses ele terá percorrido aproximadamente 600 km. Sabe-se que o tênis deve manter a sua estabilidade e seu material de apoio (sola) e o de amortecimento. Vale a pena analisar ao final de 6 meses para saber se principalmente não aconteceu desgaste diferenciado em algum pé ou se tênis ainda mantém a cara de novo. Seguindo estes critérios talvez o tênis possa durar algo em torno de 600 a 1000 km” explica Miguel Sarkis.

“Existem vários estudos a respeito e algumas conclusões: a maioria das pesquisas concluiu que em média um tênis dura de 500 a 1.000 quilômetros. Há estudos que mostraram que mesmo o tênis ficando velho ele não perde a capacidade de amortecimento então o que define se o tênis está “vencido” ou na hora de trocá-lo é o seu estado físico: rasgado ou deformado. Portanto eu acredito até por experiência própria que o que melhor define a durabilidade de um tênis é o seu estado físico. Quando ele começar a ficar deformado é hora de trocar” finaliza Kim Cordeiro.

Esta matéria foi produzida no site ativo.com

 

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