Quase tudo o que inveja nos anúncios da Victoria’s Secret é falso

Quando o nome Victoria’s Secret nos vêm à cabeça pensamos em modelos sexy, com corpos perfeitos e curvas capazes de deixar qualquer homem de queixo caído. Adriana Lima, Candice Swanepoel, Lily Aldridge e Alessandra Ambrosio são apenas alguns dos nomes que ao longo dos anos têm protagonizado as diversas campanhas da marca de lingerie americana que recentemente deixou de comercializar biquínis e fatos de banho.

Mas e se lhe dissermos que grande parte daquilo que vê nesses anúncios é pura ilusão, obra de editores de imagens e muitos artifícios que passam despercebidos aos olhos dos consumidores? Na sociedade atual toda a gente sabe que a maior parte das imagens e anúncios publicitários que encontramos em revistas e outdoors foram alvo de manipulação e retoques, mas por vezes não sabemos os extremos a que se chega para conseguir ‘o anúncio perfeito’. Uma antiga editora de imagem, que trabalhou para a marca Victoria’s Secret, decidiu revelar ao site Refinery29 o que se passava nos bastidores das sessões fotográficas organizadas para as campanhas da marca.

“A primeira coisa que fazem é colocar extensões de cabelo na modelo”, começa por explicar a editora de imagem que preferiu permanecer no anonimato. “Acho que nunca estive numa sessão fotográfica em que a modelo tivesse cabelo verdadeiro.”

Copas adesivas de silicone e enchimentos são alguns dos artifícios utilizados para moldar o corpo da modelo que está a ser fotografada. “Durante as sessões fotográficas colocam um soutien push-up por baixo do fato de banho. E nós retocamos o soutien da imagem… […] Quando as mulheres normais usam um biquíni cai-cai, por norma, não têm decote. É fisicamente impossível porque é assim que a gravidade funciona,” afirma a editora de imagem, que sublinha que esta é uma prática comum das outras marcas com quem teve oportunidade de trabalhar. “Se colocarmos o fato de banho na palma da nossa mão, vamos verificar que ele é muito pesado devido às porcarias que estão cosidas ao forro.”

Seios redondos, levantados, perfeitamente simétricos, grandes e sem vestígios de mamilos, são alguns dos pedidos que tinha de cumprir ao editar as imagens das campanhas publicitárias da marca americana. A editora de imagem era ainda obrigada a branquear os dentes e os olhos das modelos e a apagar qualquer vestígio de acne, celulite e estrias.

Mas a verdade é que as alterações não param por aqui. As mãos, pés, axilas e pêlos – sim leu bem – também eram, e são, alvo de retoques através dos programas de edição de imagem. “Elas aparecem nas sessões fotográficas, e são obrigadas a fazer certas poses com os braços, e muitas vezes estão com pelos nas axilas”, refere.

Outros dos pedidos que a editora de imagem tinha de executar era tornar as modelos mais curvilíneas e com mais carne. “As modelos são mais magras do que pensamos”, afirma. Aumentar rabos, retocar costelas pronunciadas e suavizar os ossos das ancas eram outras das exigências que tinha de cumprir. Quando os retoques não eram suficientes para atingir a imagem perfeita, algumas marcas iam a extremos, chegando a trocar certas partes do corpo de uma modelo.

“A razão pela qual as pessoas retocam os corpos das modelos é porque nos estão a tentar vender alguma coisa”, afirma a editora de imagem que apesar de conhecer bem os truques desta indústria confessa que também não consegue resistir aos anúncios da marca de lingerie. “Este verão encomendei um fato de banho da Victoria’s Secret. E quando o recebi, claro, que não era tão giro como nas fotografias. Eu fui uma das pessoas que retocou essas imagens e mesmo assim não estou imune aos efeitos do marketing. É incrível”, remata.

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