Quinhentas sapateiras, amêijoas mais de mil e sushi para a consoada

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De há uns anos para cá, Natal é também sinónimo de muitas encomendas, para fora. “Há três anos vendemos uma tonelada de marisco no Fim de Ano e, no Natal, aproximadamente 300 quilos”, explica Ricardo Santos, 39 anos, gerente do negócio e filho de Eduardo Santos, o homem que já foi pastor na Pampilhosa da Serra, migrou para Lisboa, foi guarda-freio mas sempre sonhou “ter um café”, como o próprio recorda.

Estivemos numa das mais conhecidas marisqueiras da Grande Lisboa, o “Eduardo das Conquilhas”, junto à estação de comboios da Parede, Cascais. A casa completou, este ano, 51 de existência, ao longo dos quais litros de cerveja e vinho verde animaram lanches e jantares de amigos, tanto de verão, após longos dias de praia, como de inverno, em ceias tardias.

O que hoje é o “Eduardo das Conquilhas” começou por ser um bufete, com pastéis, cachorros e rissóis, até que a cozinheira, Isabel, sugeriu ao patrão que o marisco é que era negócio. A casa, essa, abriu em 1961. O sucesso veio com o tempo, muito trabalho, dedicação e “carinho”, como gosta de sublinhar o dono da marisqueira.

Os clientes gostam de se sentar nas mesas simples e castiças, a lembrar os cafés da década de 60, onde apenas é colocada uma toalha de papel, guardanapos e as travessas com as iguarias desejadas. Porém, pela força do hábito e o gostinho especial dos afamados mariscos do “Eduardo das Conquilhas”, agora há quem os queira degustar em casa e, sobretudo, disponibilizá-los, para toda a família, na mesa da consoada. “É uma área de negócio que tem vindo a crescer. O que sai mais são as sapateiras e as amêijoas. O ano passado ultrapassamos a meia tonelada e, este ano, pelas encomendas, também o vamos fazer”, avança o herdeiro do negócio, sob o olhar atento do pai, o timoneiro Eduardo, 86 anos, que brinca: “Subi de posto, agora sou relações-públicas”. A frase é largada com um olhar de imensa ternura, para o filho. É Natal todo o ano para esta família, que fecha o restaurante no dia 24, às seis da tarde, para passar a consoada em casa.

Antes disso, há que aviar a clientela. “Pedem de tudo: gambas, percebes, sapateiras, amêijoas. Principalmente, muitas sapateiras e amêijoas”. Mas, amêijoas?! E depois, come-se o pitéu frio? Nada disso! “Arranjámos um sistema para que o cliente possa fazer em casa: as amêijoas vão cruas mas, à parte, segue uma embalagem com o nosso molho e os nossos temperos. A pessoa só precisar de colocar tudo na frigideira e fazer ao momento. É espetacular!”, orgulha-se Ricardo, que explica ainda que, também as sapateiras, são agora confecionadas de modo inovador. “São cozidas a vapor. Depois vão dentro de uma caixinha, já arranjadinhas. Na hora da consoada, o cliente só tem que as tirar da caixa e pôr na mesa”.

A salada de polvo também começou a ser requisitada para esta época. “Vendemos cerca de 100 saladas de polvo, para fora, para a noite de Natal”. Pastéis de bacalhau e rissóis também são acepipes bem conhecidos, nesta marisqueira. A tradição vem de longe e continua. “De avós, passou para filhos e netos. Há muitas encomendas de salgados. E até há quem peça sushi!”, adianta Ricardo Santos.

Em 2015, por ocasião das Bodas de Ouro, o “Eduardo das Conquilhas” abriu uma sucursal no Mercado de Carcavelos. E é de lá que saem os combinados de sushi, para consoadas mais exóticas. “O ano passado vendemos mais de 100 combinados de sushi, para a consoada. De resto, é tudo feito aqui mas quem quiser pode ir buscar a Carcavelos, que nós mandamos para lá, onde é mais fácil de estacionar”, aconselha o gerente da casa.

Nos bastidores da marisqueira, dois tanques acolhem centenas de sapateiras, que nadam sem saberem que o seu destino será deliciar os palatos natalícios. Um mundo que se esconde, atrás do balcão e das mesas, das cervejas que saem constantemente das bicas, e do bulício dos empregados, sempre de um lado para o outro, de mesa em mesa, que a clientela é muita e fiel. “No dia da consoada começamos a trabalhar muito cedinho, para atender a todos os pedidos. É um dia diferente, de muito trabalho, mas que compensa”, remata Ricardo, desejando Boas Festas e grandes petiscos, para todos os portugueses.

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