Red Frog: Cuidado, os cocktails deste bar lisboeta podem tornar-se viciantes

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Escolha da carta um “The Wolf Gang” um “Star Fizz” ou um “Lost World” e tem como certa a visita do sapinho vermelho em cerâmica. Ele é presença obrigatória a acompanhar os 28 cocktails desta casa situada bem próximo à Avenida da Liberdade em Lisboa. Não estranhe o sapo, ele não é convidado é o anfitrião e apadrinha, inclusivamente, este speakeasy bar, o Red Frog. Um sapo encarnado, de paixão e de garra, congénere de um outro tornado famoso nas louças da Bordallo Pinheiro. Este, o lisboeta é personalizado por encomenda na fábrica das Caldas da Rainha. O que Paulo Gomes e Emanuel Minêz os responsáveis pela Red Frog pretendem é originalidade no conceito. Daí, a porta do estabelecimento sempre trancada. Há que tocar à campainha para entrar. Junta-se a sala secreta, a “Prohibition Room”, que só abre a pedido do cliente (e mesmo assim não é garantido). Ou mesmo uma carta de cocktails que não obstante as quase 30 sugestões não cai na exaustão é vibrante e capaz de surpreender

Este dezembro assiste à estreia de uma nova carta no Red Frog. De seis em seis meses os cocktails mudam de roupa. Mais frescos para a estação primavera/verão, a pedir alguma ardência e calor no semestre outono/inverno. Da anterior carta saltam para a nova (para além do sapo) apenas sete cocktails. Vinte e um são novinhos em folha. Paulo Gomes, eleito em 2014 o Melhor Bartender de Portugal, dá-nos prova do seu currículo. Prepara-nos quatro cocktails irrepreensíveis. “Green Is The New Black”, “New Bee´s On The Block”, “The Funki Donkey”, “D.O.P. Flip” são muito mais do que a soma de algumas bebidas. Trata-se, aqui, de arrumar dentro da taça uma experiência sensitiva que mescla, por exemplo, whisky, vodka, pisco, gin, vermute, tequila, Porto com ingredi

entes de labor artesanal. Alguns exemplos? As infusões que podem levar até dez plantas, desde a urze, à camomila, hortelã, tomilho e flor de Szechuan; ou as soluções de cardamomo e funcho e de ervilha e erva-trigo. Ou mesmo um cocktail que não recusa a introdução de uma infusão de toucinho fumado. Ele está lá, mas não incomoda na boca e inclusivamente casa com um creme de pastel de nata e leite de queijo. E não se estranhe o toucinho. Todos adoramos uma boa fatia de pudim Abade de Priscos. Receita minhota que não dispensa o seu naco da dita gordura.

Diz-nos Paulo Gomes: “temos uma história engraçada com o Alvim. Quando nos visitou disse-nos que não gostava de whisky. Preparei

-lhe um cocktail com whisky e bebeu-o até à última gota. Não sabia, claro e ficou surpreen

dido”. Ou seja, “não vamos pelo caminho mais fácil, nem pelo óbvio”, acrescenta Emanuel Minêz. Uma originalidade que se estende às louças e ao ambiente da casa. Luz do sol não entra. Estamos num Speakeasy bar, uma recriação lisboeta dos originais, os que funcionaram clandestinamente nos Estados Unidos durante a Lei Seca. Há por isso, neste Red Frog, um certo je ne sais quoi de proibido. Não que nos sintamos propriamente uns Al Capone, mas ajuda descer abaixo da superfície da capital para nos situarmos numa sala que é um dédalo, com recantos, cabedais, madeiras, cadeirões, mobiliário de época e paredes pejadas de molduras. A decoração ficou a cargo de Ângela mulher de Emanuel.

Ajuda, também a toda esta encenação, sabermos de uma porta secreta que nos encaminha para a “Prohibition Room”, a sala “secreta” que, no fundo, funciona como um espaço mais intimista e com um bar próprio em pleno funcionamento. Fazemos essa incursão aos confins do Red Frog com um “New Bee´s On The Block” na mão. Um cocktail “aromático, intenso, old style, doce” como lemos na carta. Acrescenta Paulo Gomes: “trazemos as abelhas e o mel para este cocktail. Fazemos um `ketchup`de mel e citrinos, juntamos whisky, licor Beirão, gengibre e a infusão de flores”. Há mais ingredientes, claro. O que bebemos em 15 minutos pode levar até três horas de preparação nas mãos do bartender. Isto antes do bar abrir, claro. Neste caso, o cocktail vem servido na “floresta”, um copo rodeado de folhagem. “Queremos trazer um pouco da primavera para o inverno”, diz-nos Emanuel.

Uma veia de ambição expressa no desejo da dupla que gere este Red Frog, tornar-se dentro de poucos anos um dos 50 melhores bares a nível mundial. No quadro de honra da casa já estão os prémios de Melhor Bar de Portugal e de Melhor Carta de Bar na última edição do Lisbon Bar Show.

Red Frog (Rua do Salitre 5A. Tel. 215 831 120)

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