Sem marcas de casca de laranja

Buracos, aspecto rugoso, retenção de líquidos, flacidez… 90% das mulheres conduzem uma batalha constante contra estes sintomas. Com os modernos tratamentos estéticos, pode ganhar a guerra.

Aquilo que comummente conhecemos como celulite é muito mais do que um excesso de gordura, é uma alteração do tecido adiposo subcutâneo resultante de um processo inflamatório.

António Cardoso Tavares, cirurgião plástico na Clínica de Todos-os-Santos, explica o fenómeno. «Na mulher, os adipócitos (células que armazenam energia sob a forma de gordura) estão enquadrados por membranas fibrosas que unem os músculos à superfície cutânea. O aumento de volume dos adipócitos comprime os linfáticos e a microcirculação destas membranas, dificultando a sua drenagem e provocando uma resposta inflamatória, que leva à retracção das membranas fibrosas e consequente retracção da pele, dando-lhe um aspecto em casca de laranja».

A celulite acumula-se, na maioria dos casos, desde a cintura até aos joelhos. Menos frequentemente, pode aparecer em zonas como os braços. Pode chegar a converter-se num inconveniente estético, ainda que existam tratamentos muito eficazes para reduzi-la e, até, fazê-la desaparecer quando é incipiente.

Os vários tipos de celulite

A celulite indica que algo não funciona bem na pele. Basta observá-la para se dar conta de que se torna flácida e o seu aspecto piora à medida que a celulite se instala.

A explicação: enquanto o tecido adiposo normal tem um espessura de cerca 1,5 cm, nos casos de celulite pode alcançar os 20 cm.
Segundo António Cardoso Tavares, a celulite pode classificar-se em três grandes grupos:

Celulite edematosa
É a fase inicial do processo de celulite em que há um aumento de líquidos intra-celular nos adipócitos. É uma fase normalmente assintomática, só produzindo deformação quando a pele é comprimida. Cede ao tratamento com massagem de drenagem, desde que resolvido o factor que está na sua origem.

Celulite fibrosa
Nesta fase existe um processo organizativo, resultante das alterações de vascularização, que estabelece uma fibrose no intervalo do tecido adiposo. Começa a notar-se a deformação, mesmo sem compressão.

Celulite esclerótica
Fase de celulite instalada, em que a acumulação de líquidos levou à fibrose e, posteriormente, à retracção das bandas que envolvem os adipócitos, produzindo uma deformação em casca de laranja muito notória, principalmente nas áreas em que existe maior aderência aos músculos, em particular nas faces externas das coxas.

Porquê eu?

«As causas da celulite não são totalmente conhecidas. Os factores abaixo enumerados são os mais referidos e os que reúnem maior consenso entre os especialistas», refere António Cardoso Tavares.

Veja na página seguinte: Os factores que potenciam o aparecimento de celulite

Porque é mulher
O organismo feminino tende a acumular mais gordura do que o masculino, uma espécie de aprovisionamento para uma eventual gravidez e amamentação.

Para além disso, a gordura dispõe-se de forma diferente na pele da mulher. No homem, distribui-se de forma plana, enquanto que, na mulher, tende a fazê-lo de forma vertical, de modo que é fácil acabar por sobressair e formar vultos.

Por causa da sua raça
Parece que o factor racial tem muito a dizer no aparecimento da celulite. Por exemplo, uma mulher mediterrânica costuma ter mais celulite do que uma nórdica. As que menos sofrem são as mulheres africanas e as asiáticas.

Devido à sua herança genética
Os genes parecem estar contra si. Se a sua mãe, avó e irmãs sofrem de celulite, o mais certo é que você também acabe por tê-la.

Não se alimenta como deveria
A alimentação rica em calorias fomenta o aumento de volume dos adipócitos e pode agravar, consequentemente, a celulite. Os alimentos que provocam retenção de líquidos também são “culpados” (nomeadamente o sal).

Vida sedentária e inactiva
O exercício melhora o metabolismo dos lípidos e activa a circulação.

Texto: Fernanda Soares

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