Sorrisos, biquínis e coroas: a história do concurso Miss Universo

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A missão do concurso, originário dos Estados Unidos, é “providenciar as ferramentas necessárias que ajudem as mulheres a serem a melhor versão de si mesmas. A autoconfiança é essencial”, refere a organização do evento que todos os anos atrai milhares de participantes.

A criação do “Miss Universo” acontece no meio de uma polémica com outro concurso de beleza, o “Miss USA”, na altura patrocinado pela marca de roupa Pacific Knitting Mills. Após a vencedora Yolanda Betbeze ter recusado ser fotografada com um dos fatos-de-banho da Pacific Knitting Mills, a marca decidiu organizar dois concursos de beleza onde pudessem promover os seus produtos: o “Miss Universo” e o “Miss USA”.

Com 17 anos, a finlandesa Armi Kuusela (na imagem) foi a primeira mulher a receber o prestigiado título de “Miss Universo”, entregue na cerimónia que teve lugar a 28 de junho de 1952 em Long Beach, Califórnia. Uma curiosidade interessante prende-se com o facto de durante 13 anos o “Miss USA” ter sido a fase preliminar deste concurso.

Apesar da organização do concurso deixar claro que a idade mínima para participação é de 18 anos, a verdade é que o título de “Miss Universo” já foi atribuído a duas menores. O segundo momento teve lugar em 1957 após a coroação da peruana Gladys Zender, na altura com 17 anos. Apesar da polémica que se gerou em torno da sua idade, os jurados decidiram manter a atribuição do título, referiu o site Bustle.

Este concurso começou a ser transmitido na televisão durante a década de 1960 pelo canal CBS, e atualmente pela FOX.

Desde a sua criação, o evento foi alvo de algumas mudanças: a introdução da entrevista para decidir as vencedoras (1960), a separação do “Miss Universo” e do “Miss USA” (1965), a redução da duração do concurso (1990) e a mudança de 10 para apenas cinco finalistas (1998).

Após alguma incerteza sobre a edição de 2016, o concurso regressa mas com regras diferentes. Uma das alterações começa durante a ronda preliminar, onde o júri vai escolher 12 em vez das tradicionais 15 candidatas que vão integrar a prova de fato-de-banho no dia da coroação.

Daqui serão selecionadas apenas nove que deverão realizar a prova do vestido de noite de onde serão apuradas seis concorrentes que vão ser postas à prova numa entrevista. Metade ficará pelo caminho, restando apenas as três finalistas que deverão pisar o palco pela última vez com o chamado look final. A “Miss Universo” é escolhida com base nos votos do público e na opinião dos jurados, explica o site oficial da competição que este ano vai contar com a presença da portuguesa Flávia Brito a representar Portugal (na imagem).

Segundo o Rappler, o país que mais vezes venceu o concurso ao longo dos anos foi os Estados Unidos, coroando oito vencedoras.

A sucessora de Pia Alonzo Wurtzbach, a atual detentora do título, que curiosamente é uma das três “Miss Universo” mais velhas a ganhar o concurso, será conhecida no próximo dia 29 de janeiro. Recorde-se que esta é a segunda vez que o concurso de beleza irá entregar um título correspondente ao ano anterior.

Os padrões de beleza e o estilo fato de banho

Apesar do “Miss Universo” ser um concurso onde também se avalia a cultura e a personalidade das concorrentes, a verdade é que a aparência exterior é o fator determinante na hora de eleger a vencedora. Segundo o site Superdrug, é possível constatar como os padrões corporais impostos pela organização na década de 1950 são completamente opostos aos atuais.

“[Na década de 1950] víamos fatos-de-banho completamente cobertos usados por um tipo de corpo que representava a mulher americana comum. Nos anos 1960 (e em todas as décadas que se seguiram) as camadas foram diminuindo, revelando mais pele (incluindo as diminuição das suas silhuetas)”, pode ler-se.

Por exempl,o na década de 1980, as concorrentes passaram a exibir uma silhueta magra e tonificada como a das supermodelos que faziam furor durante esta época. Outra curiosidade prende-se com o facto de na década seguinte a competição ter permitido o uso do biquíni durante a famosa prova de fato-de-banho. Ou seja, à medida que a mulher americana foi aumentado de peso, as concorrentes que integravam o concurso foram ficando cada vez mais magras, promovendo padrões de beleza irreais, de acordo com uma análise do site Superdrug.

Scott Lazerson, que em 2011 foi jurado nas provas preliminares do “Miss Universo”, reforçou a ideia expressada anteriormente ao confirmar que a inteligência e a elegância das concorrentes são secundárias neste tipo de concursos. “Beleza, beleza, beleza. Tudo gira à volta da beleza exterior”, disse numa entrevista para a Forbes.

Regras, prémios e escândalos

Como em qualquer outro concurso de beleza, todas as jovens que pretendam competir têm de ser maiores de idade, não podem ser casadas nem estar grávidas. Para terem um lugar nas provas preliminares é necessário que todas as concorrentes já tenham ganhado um concurso de beleza no seu país de origem. No caso das cidadãs americanas, estas devem ter sido coroadas “Miss USA”. Caso desrespeitem alguma destas regras podem ser desclassificadas da competição.

Outra das regras estipuladas pela organização do concurso prende-se com a conduta esperada por parte das jovens coroadas “Miss Universo”. Tal como refere o site da organização, a vencedora “tem de entender os valores da nossa marca e a responsabilidade do título. Tem de conseguir articular a sua ambição como Miss. Deve demonstrar autenticidade, credibilidade e exibir elegância mesmo sob pressão. As jovens que competem são a personificação da aspiração global e moderna do potencial que há dentro de todas as mulheres”, refere a organização.

À semelhança de outros concursos, a “Miss Universo” parece não estar imune a escândalos e polémicas. Em junho de 2015, Donald Trump viu-se forçado a vender a Miss Universe Organization, empresa responsável pela organização dos concursos “Miss Universo”, “Miss USA” e “Miss Teen USA”.

Segundo a revista Rolling Stone, na origem da venda estiveram os comentários xenófobos feitos sobre imigrantes que afastaram todas as partes envolvidas num concurso desta dimensão: desde as estações televisivas aos patrocinadores, passando pelos jurados e apresentadores. Após 19 anos à frente da Miss Universe Organization, Trump entregou a liderança da empresa à agência de marketing WME/IMG.

Outra das polémicas mais recentes teve lugar durante o “Miss Universo 2015” quando Steve Harvey se enganou e trocou o nome da vencedora, coroando erradamente a colombiana Ariadna Gutierrez. O momento de glória durou apenas breves instantes, com o apresentador a admitir o erro em direto e consagrando Pia Alonzo Wurtzbach, representante das Filipinas, como a verdadeira vencedora (na imagem).

Após vencer o concurso, a “Miss Universo” tem direito a um apartamento de luxo em Nova Iorque, um salário mensal, uma estilista pessoal e acesso aos mais diversos eventos durante 12 meses, isto sem falar que terá todas as despesas pagas pela IMG. Durante o seu reinado, a jovem terá ainda a oportunidade de viajar pelo mundo apoiando e recolhendo fundos para diversas instituições de caridade.

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