SOS celulite | SAPO Lifestyle

São raras as mulheres, mesmo magras, que não se queixam dela. Hormonas femininas, herança genética, alimentação hipercalórica, consumo excessivo de gorduras, tabagismo, falta de exercício, roupa demasiado apertada…

A lista de fatores associados à celulite é quase tão extensa como o número de soluções cosméticas e tipos de tratamentos realizados em consultório e institutos para a combater.

O controlo eficaz dessa inflamação e compartimentação dos tecidos nas camadas profundas da pele, que se denuncia por inestéticas covas na superficie cutânea, só é possível através de mudanças estruturais (365 dias por ano e para sempre) ao nível do estilo de vida. A alimentação equilibrada e o exercício regular têm, aqui também, um papel central, mas para resultados mais céleres e eficazes devem ser complementados pelo recurso a tecnologias de última geração.

Crioterapia + Ondas de choque

Esta combinação é a escolha de Fernando Guerra para tratar casos de celulite associada a gordura localizada. O dermatologista indica a combinação da crioterapia e de ondas de choque como uma técnica não invasiva eficaz para acabar com a pele com aspeto de casca de laranja. A crioterapia promove, através do arrefecimento controlado e localizado, a contração dos vasos sanguíneos e a destruição das células de gordura. Já as ondas de choque estimulam a microcirculação.

Através desse processo, destroem processos fibrosos característicos da acumulação de gordura e promovem a síntese de colagénio. «Este tratamento arrefece os tecidos, quebrando as membranas dos adipócitos. Depois estimula a sua drenagem a fim de serem absorvidos pelo organismo. Tem a vantagem de ser efetivo, rápido e indolor», afirma o especialista, que garante que é adequado para todos os graus de celulite, com exceção do primeiro (o menos grave, aquele em que a celulite não é visível quando a pessoa está de pé ou deitada).

Esta combinação de tratamentos não é, contudo, a solução para si se, para além da celulite, a pele apresentar flacidez acentuada. Fernando Guerra acrescenta ainda que, «em termos de saúde, os doentes com próteses metálicas, dispositivos intrauterinos também metálicos, que usem pacemaker cardíaco ou tenham doenças neurológicas, como Parkinson, ou doenças vasculares graves também não devem recorrer a esta solução», sublinha ainda.

Os resultados não são, todavia, garantidos a 100 por cento. «Dependendo do grau de celulite e do cumprimento dos tratamentos por parte do paciente, pode esperar-se cerca de 40 a 60 por cento de melhoria do estado da pele e perda de centímetros», elucida Fernando Guerra. Para o sucesso do tratamento, contribui a adoção de «uma vida saudável que compreende uma alimentação equilibrada, pobre em hidratos de carbono e gorduras».

Esses comportamentos catalizadores devem ser acompanhados da «ingestão de água fora das refeições e a prática moderada e continuada de exercício», aponta ainda o dermatologista, que recomenda «quatro a seis sessões, uma por semana». O custo médio de um tratamento deste tipo ronda os 600 euros (quatro sessões).

Radiofrequência

Radiofrequência é a escolha da dermatologista Manuela Cochito para casos de celulite associada a flacidez. «Ao contrário de técnicas como a cavitação e a mesoterapia, a radiofrequência não desfaz a gordura nem a coloca a circular no organismo (o que pode, em alguns casos, afetar a saúde cardiovascular), apenas a compacta sem a retirar dos adipócitos», justifica a especialista.

«Elimina um pouco da inflamação que se encontra à volta destas células, deixando a gordura compactada. este é, por isso, o tratamento que considero que envolve menos riscos e é mais eficaz», acrescenta ainda a dermatologista, que recomenda o uso deste tratamento para casos de celulite associada a flacidez. Para além de compactar a gordura, a radiofrequência «estimula a produção de colagénio e elastina na derme, favorecendo a firmeza», garante.

Este tratamento não é, contudo, recomendado para mulheres grávidas nem mulheres que tenham ou já tiveram «um tumor maligno na área a tratar», elucida a especialista. «Também não deve ser aplicada em quem tem pacemaker ou próteses de metal na zona a tratar», recomenda Manuela Cochito. «Depois de uma sessão na coxa ou barriga, é possível notar logo a redução do perímetro porque há compactação e não destruição da gordura», afiança.

«Os principais efeitos são visíveis a médio ou longo prazo. A taxa de sucesso depende muito do estilo de vida e dos hábitos da pessoa que devem incluir exercício físico e uma dieta alimentar equilibrada, evitando alimentos gordos e de armazenamento rápido, como doces e gorduras. Além disso, há fatores genéticos um pouco incontornáveis», afirma ainda. O protocolo do tratamento implica «uma sessão semanal (com duração de cerca de uma hora) nas primeiras quatro semanas».

Esse tratamento é complementado com «uma sessão por mês durante mais quatro meses e, depois, uma sessão de dois em dois ou de três em três meses», refere ainda. Cada sessão custa cerca de 150 euros. «Os resultados dependem da forma como é executada a radiofrequência. É necessário conjugar aparelhos que emitam radiação eficaz com técnicas apuradas ou os resultados não serão satisfatórios», adverte a dermatologista.

Subcisão

Esta é a escolha do cirurgião plásticoTiago Baptista Fernandes para casos de celulite muito acentuada sem excesso de gordura. Nesta técnica, «faz-se um pequeno orifício na pele e coloca-se uma cânula especial V-Shape, que permite soltar a aderência que provoca a cova» e concede o aspeto inestético à pele com celulite», descreve Tiago Baptista Fernandes.

«A técnica demora três minutos a ser executada em cada vinco e tem a vantagem de ser feita com anestesia local, de ser praticamente indolor e de a recuperação ser rápida, permitindo retomar a atividade profissional de imediato», explica ainda. Segundo o especialista, esta solução é adequada para casos de «celulite isolada com vincos mais profundos», sem excesso de gordura associada.

Não é, no entanto, a solução ideal para si se tem muitas varizes. Como explica Tiago Baptista Fernandes, «pode ser perigoso dado o risco de poder ser, em alguns casos, perfurada uma veia», alerta. Em termos de resultados, «permite a diminuição do aspeto de casca de laranja e a libertação dos vincos mais profundos. Tem uma boa taxa de sucesso, mas nem todos os corpos respondem positivamente ao tratamento. Nos casos mais bem sucedidos, a pele fica mais lisa e uniforme», garante.

«Antes da aplicação deve ser realizada uma avaliação por um nutricionista, de modo a corrigir os erros alimentares. A subcisão não é um tratamento isolado. Também a mesoterapia, a drenagem linfática manual e/ou a radiofrequência devem fazer parte do tratamento», indica o cirurgião plástico. Em média, são necessárias duas sessões, cujo custo ronda os 100 a 150 euros por sessão.

A lipoaspiração é solução para remover a celulite?

Tiago Baptista Fernandes esclarece que a forma tradicional desta cirurgia não é adequada para tratar a celulite. «A lipoaspiração tradicional não é indicada, podendo inclusive agravar a situação. Já a S.A.F.E. lipo é uma boa opção, mas ainda não existem estudos suficientes que demonstrem a sua eficácia na maior parte dos casos», esclarece o especialista.

«Esta prática envolve o uso de «uma cânula com ponta basket que permite romper as fibras que provocam as aderências, mas está mais indicada para quem pretende remover excesso de gordura e melhorar a celulite», acrescenta ainda o médico.

Qual o seu grau de celulite?

Para o avaliar basta observar-se ao espelho e apertar a pele com o dedo indicador e o polegar, como refere Fernando Guerra, dermatologista:

– Estádio 1
A pele não revela covas quando é apertada ou quando está de pé ou deitada.

– Estádio 2
Após ser apertada quando está de pé, a pele fica acolchoada, mas deitada não se nota.

– Estádio 3
A celulite é visível quando está de pé (mesmo sem sem beliscar a pele) mas se estiver deitada não se nota.

– Estádio 4
A celulite é indisfarçável seja qual for a posição em que se encontra.

Texto: Fabiana Bravo com Fernando Guerra (dermatologista e diretor clínico da Clínica Epilaser), Manuela Cochito (dermatologista e diretora Clínica da Clínica Dra. Manuela Cochito) e Tiago Baptista Fernandes (cirurgião plástico e diretor do departamento de medicina e cirurgia estética da clínica White)

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