“Temos de trabalhar muito. Não ganhamos o suficiente para ser vedetas”

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Ao olhar hoje para Diogo Amaral torna-se difícil recuar mais de uma década e recordar a altura em que o ator deu os primeiros passos no mundo da representação. Foi na novela ‘Sonhos Traídos’, onde deu vida à personagem ‘Martim Sousa’, que Diogo começou a perceber que o seu caminho estava a ser traçado. A profissão estava a abraçá-lo. Assim como todos os que o viam.

O reconhecimento acrescido surgiu logo na primeira temporada da série ‘Morangos com Açúcar’. O rebelde ‘Ricardo’ não deu descanso aos fãs que aumentavam a cada momento. “Havia uma grande união entre nós e não tínhamos a mínima noção de que ia ser um êxito como foi. Nem nós, nem ninguém. Lembro-me que quando estávamos a começar as gravações havia um realizador que dizia: ‘Bom isto como é suportado por miúdos vai durar 120 episódios”. E durou nove anos”, recorda.

No entanto, antes de chegar ao pequeno ecrã, Diogo viveu outras aventuras que acabou por não levar adiante. A pedido dos pais optou primeiramente pelo Ensino Superior. No entanto, não era isso que o realizava verdadeiramente. “Estive dois anos em Arquitetura, depois em Direito. Quando acabei estes ‘passeios’ fui fazer o meu curso de formação de atores. Arranjei logo trabalho”, revela.

Na altura, Diogo confessa-nos que “não sabia o que era ter a profissão de ator”, e que tal acabou por criar uma grande insegurança nos pais. Mas havia sempre uma regra que pairava na sua cabeça e que fez questão de seguir à risca: “Nós temos de fazer uma coisa que gostamos mesmo. Se não vamos ser miseravelmente infelizes”, reflete.

Passados 15 anos continua à procura de algo. É o seu perfeccionismo que o leva a tal. Sabe onde quer chegar, e por isso está sempre em evolução. Não se arrepende de nada na carreira, mas admite que há personagens que dão “mais gozo que outras”.

O ‘Gustavo’

Atualmente, os espetadores veem Diogo Amaral a dar vida a ‘Gustavo’ na novela da TVI, ‘A Impostora’. A construção da personagem não foi fácil, mas o nosso entrevistado contou com uma ajuda muito especial: a do pai. “O meu pai é médico militar e esteve na Bósnia e eu era muito novo quando ele voltou e nós nunca tínhamos conversado sobre isso”, confessa, acrescentando que as conversas o ajudaram a criar um sentido para a sua personagem e, de certa maneira, para ele mesmo.

Apesar de partilhar com ‘Gustavo’ o gosto pela fotografia, Diogo não se imaginava num cenário de guerra como a sua personagem. “É muito estranho como neste mundo estão sempre a acontecer este tipo de coisas”, argumenta, pensativo.

E se o filho Mateus quisesse? Questionamos. O cenário é longínquo para o ator, até porque o menino só tem dois anos. Mas insistimos e a resposta revelou-se curta. “É muito distante da minha realidade… Eu fico a pensar no meu personagem, em que as pessoas não querem que eu vá para lá. Mas quando uma pessoa quer muito uma coisa não há nada a fazer”, admite.

A vida de ator. Um sonho ou um luxo?

Diogo Amaral é bastante determinado em relação ao que defende. A vida na representação não é fácil, nem é suposto ser. Mas é também isto que contribui para a magia da carreira. Para o ator,os sacrifícios devem ser sempre feitos em prol da arte e não para benefício pessoal. Até porque para isso existem outros caminhos.

“Acredito que possam pensar: ‘Uau, que vida incrível’. Eu costumo dizer assim: ‘Se fosse nos Estados Unidos, eu tinha chegado aqui de helicóptero’, se calhar seria um bocadinho diferente. Se calhar, até queria ser uma figura pública super conhecida, porque queria ter um ilha nas Filipinas. Isso acho que é outra coisa. Acho que há outro tipo de atividades melhores para isso, porque nós temos de trabalhar muito. Acho que não compensa. [Em Portugal] não ganhamos o suficiente para ser vedetas”, explica.

Na verdade, Diogo Amaral não centra a sua vida no material. Centra em si mesmo e nos seus objetivos, indiferente ao que as pessoas possam pensar, ou opinar.

artigo do parceiro: NM

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