Trump Singles: o site de encontros americano que reúne solteiros pró-Trump

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O site chama-se TrumpSingles.com e tem cerca de 12.000 pessoas registadas. Faz lembrar outros como o Match.com ou Cupid.com, mas a inspiração veio, na verdade, de um site similar dedicado aos seguidores do senador e ex-candidato democrata Bernie Sanders.

“Acho que os apoiantes do Trump precisam mais disso”, responde divertido, o criador do TrumpSingles, David Goss, numa entrevista concedia por telefone à AFP.

“Ouvi muitas histórias de pessoas que foram a encontros e tudo estava a correr bem, até a conversa política começar e matar qualquer hipótese de um relacionamento”, acrescenta.

Cerca de 15% dos americanos utilizam sites ou aplicações para encontros românticos sendo que a maioria tem idades compreendidas entre os 18 e 24 anos, segundo um estudo do Pew Research Center.

Nos perfis de apps como o Tinder ou o Happn, há uma frase que se repete com certa frequência: se é apoiante de Trump, nem se tente aproximar.

O portal de Goss, pago, é um refúgio para quem apoia abertamente o novo presidente – e também para aqueles que têm vergonha ou medo de admitir que votaram no republicano. Estes eleitores que estão “dentro do armário” são principalmente de grandes cidades, como Filadélfia e Nova Iorque, estados onde se votou esmagadoramente em Hillary Clinton e onde se concentra a maioria dos utilizadores.

A nível internacional, o site tem curiosamente utilizadores na Arábia Saudita e no Irão, “países dos quais Trump não é fã”, conta Goss.

Tom de campanha

Com uma foto a preto e branco de um casal a rir, o logótipo do TrumpSingles, em letras douradas e com uma bandeira dos Estados Unidos na mesma cor, está em perfeita sintonia com o estilo do presidente eleito.

O slogan também segue a mesma linha da campanha: “Making Dating Great Again” (algo como: a fazer com que os encontros românticos se tornam grandiosos) em referência ao “Make America Great Again” (“Voltar a tornar a América grandiosa”) de Trump.

Uma olhar rápido pelo site mostra que a maioria dos usuários são brancos, a base do eleitorado que levou o republicano ao poder. Alguns aparecem nas fotos com bonés ou camisolas da campanha de Trump.

“Não há sinal de membros que não apoiem Trump”, disse Goss, indicando que os perfis que tenham mensagens contra o candidato ou contra quem votou nele serão apagados.

“Não importa a sua preferência sexual, a sua religião, qualquer um é bem-vindo, desde que esteja lá pelas razões certas. As pessoas que querem estar no site para serem simplesmente idiotas serão removidas”, disse o ex-produtor de televisão de 35 anos, que assegura que nem todos os apoiantes do partido republicano são racistas ou homofóbicos.

Casado com uma republicana, Goss diz que não tem qualquer tipo de ligação com a equipa de Trump e que não apoia a”100% o que ele quer fazer”, mas que pretende criar “um lugar para os que o apoiam”.

O empresário, que não conhece o magnata mas assegura que este sabe do seu site, lembrou que quatro horas antes do vencedor ter sido anunciado tinha a certeza de que o republicano ia perder, e já estava a planear a forma como ia mudar a plataforma para se adequar ao novo cenário.

Agora aposta nos próximos quatro anos e espera ter cerca de 100.000 usuários no final de 2017.

HillarySingles?

BernieSingles.com começou como um grupo de Facebook, e seis meses depois de criar um site já tinha 30.000 usuários. Hoje fora do ar, está a transformar-se numa nova página chamada ProgressivesMeet.com (para progressistas), que será lançada no primeiro trimestre do ano que vem.

“É uma plataforma que aproveita a paixão pela política”, explicou à AFP Chase Dimond, de 24 anos, que criou a plataforma com Jared Stephens, de 24, e Jill Crosby, de 50.

“Os movimentos políticos representam os princípios e crenças das pessoas, e isso cria um excelente ambiente durante um encontro”, complementou Crosby, que é dona da rede de sites de relacionamento Conscious Dating Network, sobre “encontros conscientes”.

E por que não há um HillarySingles.com? “Não há paixão nem fogo por trás de Hillary, questiona-se muito sobre ela enquanto pessoa, a sua ética e a sua moral. Não é o mesmo movimento que Bernie despoletou”, afirmou Crosby.

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